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ECO

 

Repetição de um som reenviado por um corpo duro.

Som pouco claro = RUMOR.

Imitação ou repetição de palavras ou atos.

Recordação ou vestígio = MEMÓRIA.

 

Ou

 

Exprime a noção de casa, domicílio (quando prefixo)

 

ECO é o mais novo trabalho da intérprete Karin Serafin que investiga o seu corpo considerando-o a “casa” para as imitações, repetições, recordações, vestígios e memória provocadas por dois diretores diferentes: Alejandro Ahmed e Renato Turnes.

ECO é composto por dois solos independentes em suas poéticas, estéticas e métodos de criação e que se relacionam no motivo de existirem: o corpo da intérprete.

 

Karin é bailarina há 30 anos, junto com Alejandro integra o Grupo Cena 11 desde a sua fundação participando de todos os trabalhos desenvolvidos pela Cia., com Renato iniciou sua pesquisa como intérprete criadora, juntos desenvolveram os trabalhos: “Eu faço uma dança que a minha mãe odeia” e Parte da paisagem”.

As experiências vivenciadas com cada um dos diretores deram origem cada qual a uma investigação independente, definindo seus próprios territórios de ação, materiais, e histórias...

A escolha de  trabalhar com Alejandro Ahmed e Renato Turnes em ECO se dá por estes fazerem parte da sua história de vida, recordações, afetos e trabalho.

 

 

Para Alejandro Ahmed

ECO é uma manifestação no tempo daquilo que a memória guarda. O que a memória recria para deslocar o presente pelos afetos que nos movem.

É a dança esculpida pelo  modo como o corpo responde a necessidade de continuar. Uma dança para estabelecer na permanência, as mudanças presenciais do porque estar ali. A resposta do tempo a tudo aquilo que agencia o esquecimento.

Alejandro concebeu ECO como um afeto remix de “if you’re not here” em “Eu faço uma dança que minha mãe odeia”: “Se você não está aqui e de alguma forma permanece comigo, na solidão que nos define  talvez nunca tenhas ido embora.”

 

 

Para Renato Turnes

Eco é o desfile de um corpo que range. É arrastar-se sobre os rastros das memórias de ossos e músculos. Um não-som percorrendo uma linha suspensa entre dois pontos de fuga.  Um fôlego de desistência e uma ficção de recomeço. É exibir o silêncio da pele diante do afeto do tempo.

 

Projeto realizado com apoio do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Fundação Catarinense de Cultura, FUNCULTURAL e Edital Elisabete Anderle 2017.

ECO - RIDER TÉCNICO:

Vídeo na íntegra (vídeo não público, só disponível para as pessoas que possuem o link: https://www.youtube.com/watch?v=F-6Jq3kbpeM&feature=youtu.be )

ECO por Anderson do Carmo

Em algum momento da Idade Média desenvolveu-se a prática de raspar textos de pergaminhos já utilizados para neles escrever mais uma vez. Isso se deu em um período marcado por invasões de povos ditos bárbaros nas terras autodenominadas civilizadas. Penso que produção dos pergaminhos, feitos da pele de animais, por alguma razão deve ter se tornado difícil. E – imagino – que em algum momento se fez necessário escolher o que seria apagado e o que ocuparia esse espaço não "em branco", mas embranquecido. A esses pergaminhos apagados para serem novamente escritos chamou-se palimpsesto. Do grego: aquilo que se raspa para escrever de novo.
Quem escrevia nesta época não podia prever que na passagem do tempo, depois da queda, ascensão e “descoberta” de numerosos mundos, passados acontecimento e esquecimento de monstruosidades indescritíveis, sucedidas a crença a melancolia das utopias, alguém descobriria uma maneira de ler também as palavras que se optou apagar. Ou, talvez, quem apagou estas palavras pôde sim imaginar que aquilo que se apagou um dia poderia ser recuperado e entendido. Talvez quem produziu o primeiro palimpsesto tenha sonhado que se suas palavras não chegassem a ser escutadas em alto e bom som no futuro ao menos seriam ouvidas enquanto eco.


Neste outubro de 2018 as comparações entre o avanço da barbárie contemporânea e a Idade Média tem sido exaustivas de tão frequentes. E com razões de sobra. Mas – exercício de ficção – se no século X foi encontrada uma maneira de fazer mensagens viajarem no tempo, aqui – exercício de fé – no século XXI articularemos também uma maneira nossa de o fazer. Neste mesmo outubro deste mesmo 2018, no dia 17, estreou "Eco" solo lado A e lado B de Karin Serafin feat Renato Turnes & Alejandro Ahmed. Nesse dia se renova o compromisso de encontrar essa maneira nossa de permitir que o que tem sucedido não seja apagado, mas que, caso o seja, possa ser ouvido de alguma maneira mais a frente. O compromisso que se renova aí tem sido criado e recriado a cada vez que pisamos na cena e fazemos o ar de nossos pulmões virar palavra, a cada vez que torcemos os ossos e os músculos para esculpir um gesto, a cada vez que fazemos o que escolhemos fazer apesar do medo avassalador que nos acompanha. Junto desse medo. A partir dele. Para não esquecer jamais que já o sentimos apenas por sermos quem somos. 


A dança-Eco-Karin é uma espécie de palimpsesto. Não de pergaminho e tinta, mas de carne e pixel: de carne, pois é de uma importância radical em tempos como hoje se juntar para ver uma mulher fazer o que escolheu fazer de seu corpo; de pixel porque o novo paradigma da ficção é esse assombroso que emerge junto da luz das pequenas telas que carregamos no bolso e – paradoxalmente – nos “colocaram no bolso” também.
A carne espessa de tempo, que anuncia que jamais poderá se mover novamente é a primeira imagem que nos é oferecida. Me é impossível – quando essa mesma carne tenta, consegue, falha mas não desiste de prosseguir – deixar de pensar na carne do meu corpo, na carne de milhões de corpos, na carne dos corpos que caminham em protesto e se abraçam em desespero mas prosseguem, sem saber pra onde vão, mas escolhendo ir. Apesar do que vier. Junto do que vier.
E se o que vier for ruína, se o que vier só permitir pensar “como foi que chegamos aqui?” tem aquela musica do Menudo, não tem? “No sense in dreaming / My life has no meaning /If you’re not here”.


Força e fé para decifrar o palimpsesto.
Força e fé para lidar com a ruína.
Força e fé para não deixar de (re)construir o mundo.
Força e fé para sonhar juntos.
Força e fé para encontrar significado.

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